Escrevo em português
Essa língua que faz chorar o fado
e faz morrer o sol de saudade
do mar
Saudade só existe aqui
Mas não se pode ter saudade
de algo que nunca aconteceu
Eu teria saudades tuas
Se te acontecesses em mim
A tinta preta faz a minha letra tenebrosa
parecer ainda mais adamastórica
Mas não importa como escrevo,
Importa é o que escrevo
(nem isso importa)
Não sei como aconteceu,
tal como não soube da última vez.
Ou talvez saiba, mas a minha alma
é demasiado cobarde para o admitir
Não peço desculpa; a desculpa é o
que os fracos usam para
remediar os seus erros
E o meu erro foi fazer de ti
um mar.
Um mar profundo, coberto de ondas,
deixei-me levar.
Levas-me cada vez mais longe,
cada vez mais perto do sonho.
Mas a minha insustentável
crença no fictício é o
principal motor da minha
total perda em ti.
A minha poesia não rima,
não é ordenada
e não é polida.
Mas eu não sou poeta;
sou um sonhador.
Sonho tanto que o impossível
me parece já concretizado
e engano-me a mim próprio,
perco o meu tempo,
iludo-me.
E tu nem sabes.
Mas não deverias nem deverás saber.
Limitas-te a ser.
E eu limito-me a querer ser em ti.
15 de Maio de 2010
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