aconselho a ouvir enquanto se (re-)lê, eu escrevi-o enquanto isto tocava
(vou juntar várias vezes músicas a poemas em futuras publicações)
Primeiro dos últimos desassossegos
Sol. Luz à espreita, ânsias
de revelar mais.
Mostras de nuvens, céus por demais,
tiram-me do desassossego
mostram-se minhas, mostram-se leais
E são versos, escritos de rompão
que pretendem mostrar o que vejo,
não com os olhos. Emoção.
Algo doce, tímido. Um beijo.
Não sou mais que o que digo ser
não há alquimia, génio ou poder.
Há apenas um desassossego
grande demais para o meu peito conter.
Expulso-o de mim nestas palavras,
esqueço-me das falhas e do cansaço.
é a lamúria, a fraqueza no espírito,
que sinto longe do teu abraço.
Abraço o papel, rasgo vestes de
palavras sem fim.
Espero o cessar, a noite calma
que deixa a escuridão entrar em mim.
Agora sinto, a meu ver,
que não sou quem quero ser.
Tomara em minha ignorância, não o saber.
Ser um feliz louco. Não sofrer.
Desconhecendo o que faço aqui,
seria bom ver céus azuis, e mais.
Sabendo que o quero e não o posso,
sinto o toque e os gestos bons, mas fatais.
Não sou nada, a não ser tudo,
pois tudo o que tenho, não quero.
Posso ser algo, posso até pensar,
mas o desassossego não vai parar,
pois tudo o que não tenho, venero.
28 de Outubro de 2010

